José Cássio
Sobre José Cássio
Idealizador do Pulso Jovem, José Cássio constrói uma nova cultura de empatia e responsabilidade social através da doação de sangue
Desde cedo, José Cássio demonstrou interesse em compreender e enfrentar os desafios do seu entorno escolar. Sempre atento às necessidades da comunidade, passou a propor pequenas ações, reunindo colegas e professores em torno de ideias que pudessem gerar impacto.
Um episódio marcante — a necessidade urgente de doadores de sangue para o pai de uma professora — o levou a perceber o quanto a solidariedade pode ser decisiva. O gesto pontual de mobilizar colegas para atender àquela urgência se transformou em algo maior: uma reflexão sobre como ajudar também aqueles que nunca veremos, cujos nomes talvez nunca saberemos, mas cujas vidas podem depender de um simples ato de doação.
Foi assim que nasceu o Pulso Jovem, uma iniciativa que incentiva a doação de sangue entre jovens. Realizada principalmente antes de datas festivas — períodos críticos para os estoques dos hemocentros — a campanha envolve professores e estudantes em atividades de conscientização, preparação e logística. Enquanto os professores abordam o tema nas aulas, explicando critérios e desmontando mitos, os estudantes se encarregam da comunicação e da organização dos voluntários.
Os resultados começaram a aparecer rapidamente. O Hemocentro de seu município, Teixeira de Freitas (BA), registrou um aumento significativo de jovens entre 16 e 18 anos se apresentando para doar. Em apenas uma campanha, 36 bolsas foram coletadas — potencialmente capazes de atender até 144 pessoas. Ao longo do tempo, a iniciativa já ultrapassou 100 doações, muitas delas feitas por jovens que, após a primeira experiência, passaram a doar regularmente por conta própria.
Mais do que números, o que se constrói com o Pulso Jovem é uma nova cultura de empatia e responsabilidade social. José Cássio coordena as ações junto a um grupo de cerca de 10 voluntários fixos, entre alunos e professores. Ele reconhece que não poderia realizar tudo sozinho e acredita no valor da partilha de responsabilidades. O trabalho coletivo, segundo ele, é o que torna o projeto viável e duradouro.
Apesar dos avanços, José identifica desafios importantes: ainda há pouca valorização dos doadores no estado da Bahia e muitos jovens desconhecem ou têm receios infundados sobre o processo. Por isso, um dos objetivos da iniciativa é, também, informar — desmistificar a doação de sangue e mostrar que, ao contrário do que muitos pensam, é um ato simples, seguro e profundamente necessário.
O desejo de José é que a doação de sangue entre para o repertório emocional e prático da juventude — não como uma obrigação, mas como um gesto natural de cuidado com o outro. Ele sonha com uma sociedade em que esse tipo de engajamento seja parte do cotidiano, onde jovens se vejam como protagonistas de pequenas mudanças que salvam vidas. E, com o Pulso Jovem, vem contribuindo para tornar esse futuro um pouco mais presente.