Sabrina

Jovem Transformador Ashoka
Sabrina é uma jovem negra de cabelo castanho, liso e comprido. Ela usa óculos, um batom vermelho, blusa cinza, e sorri para a foto
Brasil
Eleito em 2025

Sobre Sabrina

Idealizadora do Filhas de Gaia, Sabrina promove educação ambiental em sua escola com foco na gestão de resíduos sólidos

Desde pequena, Sabrina aprendeu lições básicas de cuidado com o meio ambiente, como não jogar lixo no chão e evitar o desperdício de água. No entanto, essas orientações chegavam de forma superficial, tanto na escola quanto em casa. Ao longo dos anos, essa percepção aguçada e um olhar atento sobre o mundo ao seu redor a levaram a entender que práticas sustentáveis vão muito além de pequenos gestos isolados. Sabrina percebeu que, para transformar realidades, era preciso mais: era necessário agir de forma estruturada, engajar pessoas e criar soluções que fossem além do simbólico.

Essa consciência se aprofundou em meio às visitas à fazenda de seu avô, próxima à cidade de Ibotirama (BA). Lá, ela observava o impacto direto do descarte inadequado de resíduos sólidos, que se acumulavam pelas estradas e às margens do rio que abastece sua cidade. A situação era ainda mais alarmante ao notar que um dos lixões municipais estava localizado próximo a esse rio e a um bairro de baixa renda, colocando em risco a saúde pública e o meio ambiente. A ausência de uma gestão eficiente de resíduos também era visível no cotidiano escolar de Sabrina: poucas lixeiras, falta de conscientização e descarte incorreto faziam parte da rotina dos estudantes e funcionários.

Diante desse cenário, Sabrina decidiu transformar indignação em ação. Com o incentivo de uma bolsa de iniciação científica conquistada por sua participação na Olimpíada dos Oceanos, ela criou a iniciativa Filhas de Gaia, um projeto que nasceu dentro do Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Odontina Laranjeira de Souza e que tem como missão promover educação ambiental, com foco na gestão de resíduos sólidos. A proposta parte da ideia de que a escola, como espaço de formação cidadã, pode ser o ponto de partida para mudanças duradouras — que começam nos corredores escolares e se espalham para as casas e comunidades.

A solução desenhada por Sabrina e seu grupo foi inovadora e plural: com métodos criativos, como o desenvolvimento de um aplicativo educativo sobre descarte correto de resíduos, oficinas, jogos didáticos e ações práticas como instalação de composteiras e parcerias com centros de reciclagem, a Filhas de Gaia conseguiu mobilizar alunos e professores. A iniciativa não apenas levou lixeiras de coleta seletiva para a escola, mas também iniciou um processo de conscientização que impactou comportamentos cotidianos — estudantes passaram a utilizar corretamente as lixeiras e a compreender melhor a lógica da sustentabilidade.

A organização é gerida de forma colaborativa por seis jovens voluntários. Sabrina atua na coordenação geral ao lado de Gabriela Jaguiar e Ariele Porto, enquanto Isabella Maia lidera a criação do aplicativo e Mayara Mangabeira orienta o grupo dentro da escola. Essa coliderança tem sido essencial para dividir responsabilidades, fortalecer o senso de pertencimento e garantir que a iniciativa caminhe com consistência mesmo diante dos desafios.

O impacto já é visível: além das mudanças comportamentais dentro da escola, o projeto ganhou reconhecimento ao participar de feiras científicas como a FECIBA, onde mobilizou jovens por meio do jogo educativo desenvolvido pelo grupo. Essas experiências fortaleceram a confiança da equipe e ampliaram o alcance da Filhas de Gaia, tornando o projeto cada vez mais conhecido e replicável.

Com um olhar voltado para o futuro, Sabrina e sua equipe planejam consolidar a atuação da iniciativa em sua escola de origem antes de expandi-la para outras instituições de ensino — primeiro para outras escolas de Ensino Médio e, em seguida, para o Ensino Fundamental. O objetivo é fortalecer a parceria com o centro de reciclagem local, lançar oficialmente o aplicativo, promover palestras, construir métricas de impacto e, eventualmente, formar alianças com a prefeitura para garantir sustentabilidade institucional.

Ao refletir sobre essa trajetória, Sabrina reconhece que liderar uma iniciativa trouxe aprendizados profundos: tornou-se mais organizada, paciente e consciente da importância de ouvir, acolher e adaptar. Aprendeu a lidar com rejeições, a respeitar o tempo dos processos e a confiar no valor do trabalho coletivo. A experiência também fortaleceu suas habilidades de liderança e comunicação, moldando uma jovem preparada para continuar inspirando outros a transformar o mundo — um resíduo, uma ideia e uma ação por vez.