Lucas B.

Jovem Transformador Ashoka
Lucas é um jovem negro com cabelo curto e ondulado. Ele usa óculos, veste uma camiseta branca com um colete de lã azul claro e sorri olhando para o lado
Brasil
Eleito em 2025

Sobre Lucas B.

Fundador do Instituto Aristóteles, Lucas democratiza o acesso à saúde mental e pauta o tema em espaços de decisão política

Lucas cresceu entre a dureza da cidade de São Paulo (SP) e os silêncios dentro de casa. Filho de mãe solo, aprendeu desde cedo a lidar com a ausência e com o peso de responsabilidades que, muitas vezes, não combinam com a infância. Durante a pandemia, essas pressões se intensificaram. Foi diagnosticado com TDAH, mergulhado em crises emocionais profundas e enfrentando uma solidão que parecia não caber no corpo. O que lhe faltava em estrutura, ele buscava em palavras: no 9º ano, escreveu um slam sobre um garoto que tirava a própria vida. Ao terminar o texto, uma pergunta se impôs com força — e se aquele garoto fosse ele?

Foi desse abismo que nasceu um impulso de mudança. A partir da própria vivência e da dor que compartilhava com tantos outros jovens da quebrada, Lucas entendeu que a saúde mental era uma pauta urgente, mas invisível nas periferias. Decidiu transformar o incômodo em ação, e assim surgiu o Instituto Aristóteles — uma organização social voltada à promoção da saúde mental e do desenvolvimento de jovens periféricos. O instituto oferece atendimentos psicológicos gratuitos, oficinas, eventos de formação, campanhas educativas e atua tanto presencialmente quanto online, expandindo o acesso para jovens de diferentes partes do Brasil.

Desde 2022, mais de 90 voluntários já passaram pela organização, mais de 200 pessoas participaram de eventos presenciais, cerca de 800 foram impactadas por conteúdos online e mais de 25 jovens recebem suporte psicológico mensal. Os números, no entanto, são apenas reflexo de algo mais profundo: a possibilidade de um jovem olhar para si mesmo e perceber que seu sofrimento não é fraqueza, mas um chamado à transformação. É esse olhar que Lucas quer expandir.

Nos próximos anos, pretende formar 200 lideranças periféricas, ampliar os atendimentos mensais para mais de 80 jovens e alcançar 5 mil pessoas com campanhas de conscientização. Mais do que isso, quer preparar jovens para ocupar espaços de decisão política — câmaras, conselhos, consórcios — levando com eles a pauta da saúde mental como urgência e direito.

No começo da trajetória, Lucas acreditava que liderar era dar conta de tudo sozinho. Tentou controlar cada parte do processo, com medo de que algo escapasse das mãos. Mas foi na escuta e no encontro com outras juventudes que aprendeu o valor do coletivo. Hoje, o Instituto Aristóteles é movido por uma equipe diversa que atua em áreas como conteúdo, advocacy, design, diversidade e marketing.

Ao criar espaços de fala e autonomia, Lucas compreendeu que a liderança que importa não é a que se ergue sobre o sacrifício, mas a que floresce na partilha. E é assim, ouvindo e sendo ouvido, que ele continua — fazendo da própria história um instrumento de cura e reconstrução para muitos outros.