Igor B.

Jovem Transformador Ashoka
Igor é um jovem branco de cabelos curtos e escuros. Ele veste uma camisa polo preta e olha para a câmera
Brasil
Eleito em 2025

Sobre Igor B.

À frente do Mãos Mágicas, Igor combate a falta de acesso ao ensino de Libras entre crianças de escolas públicas e privadas.

Aos 13 anos, entre as salas de aula do Colégio Adventista de Itabuna (BA), Igor teve o primeiro contato com a Língua Brasileira de Sinais. O que começou como curiosidade logo se transformou em indignação: o ensino de Libras era tratado como algo secundário, precário e, em muitos casos, simbólico. A exclusão começava ali, na forma como se ensinava – ou deixava de ensinar – a língua de uma comunidade inteira.

Anos depois, em um centro de atendimento, Igor presenciou uma cena que nunca mais esqueceria: uma pessoa surda buscando ajuda e não sendo compreendida por nenhum profissional. Era a prova concreta de que a negligência no ensino da Libras não era só uma falha educacional, mas um reflexo de uma exclusão estrutural.

Foi assim que nasceu o Mãos Mágicas, projeto que ele idealizou junto com uma amiga para combater a falta de acesso ao ensino de Libras entre crianças de escolas públicas e privadas. O projeto parte do princípio de que a inclusão começa na infância – e que brincar também pode ser um ato de justiça. Com jogos lúdicos, aulas roteirizadas, mascotes e uma plataforma digital acessível, Igor criou um caminho didático para que crianças aprendam Libras de forma leve, divertida e eficaz. O método foi estruturado com base na neuroplasticidade infantil, pensando sempre em envolver também professores e familiares no processo.

Mas o que impressiona ainda mais é a ambição com que Igor olha para o futuro: em parceria com pesquisadores como Juli Beltrame, do Harvard Lab, o Mãos Mágicas já está testando ferramentas de inteligência artificial que ajudam crianças a identificarem objetos e seus sinais correspondentes. Para ele, Libras não é apenas uma linguagem – é uma ponte para dignidade, empatia e pertencimento.

Nascido em Itabuna (BA), e filho de mãe solo, Igor aprendeu desde cedo a olhar para o mundo com responsabilidade e criatividade. Já participou de simulações na ONU, discursou em eventos internacionais e criou projetos de impacto na sua cidade natal. No "Aluno Cidadão", por exemplo, incentivou colegas a desenvolverem projetos de lei – alguns dos quais já estão em discussão na Câmara de Vereadores.

Hoje, Igor não está vinculado a uma instituição de ensino, mas continua aprendendo com o mundo e ensinando com as mãos. Ele sonha com um Brasil onde ninguém seja silenciado por barreiras linguísticas e, com o Mãos Mágicas, trabalha para que esse futuro comece agora – no gesto de uma criança dizendo “bom dia” em Libras, pela primeira vez, e sendo finalmente compreendida.