Esthefany
Sobre Esthefany
Unindo tecnologia e inclusão, Esthefany desenvolve o projeto Acessibilidade Linguística no Transporte Público
Desde muito jovem, Esthefany carrega uma identidade que a conecta profundamente com sua causa: ela é surda. Crescendo em uma sociedade que ainda invisibiliza pessoas com deficiência, especialmente nos espaços públicos e educacionais, Esthefany sempre enfrentou barreiras para se comunicar com o mundo ao seu redor. Hoje, é estudante do terceiro ano do curso técnico em Informática no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e vive com seus pais em Mossoró (RN).
Seu cotidiano é marcado por deslocamentos desafiadores: todos os dias, Esthefany precisa pegar dois ônibus para ir até a escola e mais dois para retornar para casa. Essa rotina evidenciou um problema concreto que afeta não apenas sua vida, mas a de muitas outras pessoas surdas: a ausência de acessibilidade linguística no transporte público. A dificuldade de se comunicar com motoristas e pedir informações simples, como o ponto de parada, a fez sentir-se invisível, ignorada e impotente diante de uma estrutura que não a contemplava.
Foi a partir dessa vivência que Esthefany decidiu agir. Junto ao Centro Estadual de Capacitação de Educadores e Atendimento ao Surdo (CAS Mossoró), sua escola de origem, ela participou de uma feira de ciências e, com apoio do orientador e da coorientadora, deu início ao desenvolvimento de um dispositivo de acessibilidade linguística para passageiros surdos no transporte público. O projeto consiste na criação de um protótipo de baixo custo com Arduino, posicionado em frente ao motorista, que se comunica com um aplicativo no celular da pessoa surda. Com esse sistema, o passageiro pode sinalizar sua necessidade diretamente ao motorista, eliminando a dependência de terceiros ou a frustração de não ser compreendido.
O impacto dessa iniciativa foi imediato e notável. Além de melhorar significativamente a experiência de mobilidade para pessoas surdas, o projeto ganhou visibilidade ao participar de diversas feiras científicas. Esthefany representou sua cidade na FEBRACE, a maior feira de ciências do Brasil, onde conquistou o 3º lugar na categoria Engenharia e recebeu o prêmio da Abenge como Jovem Talento da Engenharia. Para ela, o maior feito foi ver a comunidade surda ser reconhecida em um espaço de prestígio, sendo vista como produtora de conhecimento e inovação.
Mais do que uma solução tecnológica, a proposta de Esthefany é um símbolo de transformação social. Seu sonho é patentear o projeto e vendê-lo para empresas de transporte público, garantindo sua implementação nos ônibus de Mossoró e, futuramente, em outras cidades. Ela deseja que os surdos deixem de ser invisíveis, que sejam respeitados por sua capacidade de criar, propor e liderar mudanças. Afinal, como ela mesma afirma: “Nós também temos boas ideias”.